A subida das tarifas de transporte público e interdistrital na cidade e província de Nampula está a gerar forte preocupação entre os passageiros, que afirmam estar cada vez mais pressionados pelo elevado custo de vida. Muitos cidadãos dizem que já não conseguiram suportar as despesas diárias de deslocamento e alguns acabaram mesmo a optar por caminhar longas distâncias para poupar dinheiro.
A decisão surge depois
da aprovação de novas tarifas pela Assembleia Municipal da Autarquia de
Nampula. Com as alterações, os passageiros pagam 10 meticais para pontos
intermédios e 20 meticais para os terminais nos transportes privados. Já os
transportes públicos geridos pela edilidade passam a cobrar uma taxa única de
15 meticais.
Apesar do reajuste, a
Associação dos Transportadores Rodoviários considera que os novos preços estão
abaixo das necessidades do setor, defendendo que os custos operacionais
permanecem elevados, sobretudo devido ao preço dos combustíveis, manutenção das
viaturas e aquisição de peças.
Entretanto, os
passageiros afirmam que a situação está a tornar-se insustentável. Em vários
pontos da cidade, os cidadãos relatam dificuldades para garantir dinheiro de
transporte diariamente, principalmente trabalhadores, estudantes e vendedores
informais que dependem dos “chapas” para se deslocarem.
"Estamos
sufocados. O salário já não chega para alimentação e transporte ao mesmo
tempo", lamentou um passageiro ouvido no centro da cidade de Nampula.
Além dos transportes
coletivos, os operadores de táxis motorizados também são acusados de
aproveitar a situação para aumentar exageradamente os preços das corridas. Há
relatos de cobranças entre 200 e 300 meticais por percursos de apenas um
quilómetro, algo que muitos partilham o oportunismo.
Perante o cenário, o
Governo reuniu-se com transportadores e operadoras do setor para procurar
soluções uniformizadas que possam aliviar o impacto da elevação dos custos
sobre os passageiros, sem comprometer a sustentabilidade do transporte público.
Embora não haja um
consenso definitivo, a população continua a enfrentar dificuldades diárias e
faz com que o agravamento das tarifas afecte ainda mais o orçamento familiar e
a mobilidade urbana na província de Nampula.
