Homem desenterra corpo da irmã e leva ossos ao banco para provar morte e levantar dinheiro
Um acontecimento insólito e macabro teve lugar na passada segunda-feira, 27 de Abril, na aldeia de Mallipasi, situada no estado indiano de Bihar. Um homem tomou a decisão extrema de exumar a própria irmã e transportar os seus ossos até a uma agência bancária local, numa tentativa desesperada de ter acesso ao dinheiro que esta havia deixado depositado.
📌 O impasse burocrático
A história envolve Jitu Munda, cuja irmã perdeu a vida há cerca de dois meses. A falecida detinha uma conta num banco rural com um saldo aproximado de 19.300 rupias (valor equivalente a cerca de 1.300 reais). Com a intenção de reaver este montante, Munda dirigiu-se à instituição, mas foi prontamente informado de que a operação não seria autorizada naquelas circunstâncias, uma vez que a conta permanecia registada em nome da titular já falecida.
Para proceder à libertação dos fundos, o funcionário do banco explicou que era estritamente necessária a apresentação da certidão de óbito, acompanhada de outros documentos legais. O analfabetismo, no entanto, tornou-se a barreira intransponível.
⚰️ A prova extrema
Sem saber como resolver o problema de forma documental, optou por uma abordagem literal e drástica: dirigiu-se ao local onde a irmã estava sepultada, desenterrou os seus ossos, guardou-os num saco e regressou à agência bancária. Na sua perspectiva, os restos mortais serviriam como a prova definitiva de que a irmã havia efectivamente falecido. Ao chegar ao balcão, abriu o saco e mostrou os ossos ao funcionário, pedindo o dinheiro — causando pânico e repulsa entre os presentes.
👮 Intervenção policial e vulnerabilidade social
Perante este cenário, a polícia local foi imediatamente chamada a intervir. Kiran Prasad Sahu, delegado da unidade policial de Patna que tomou conta da ocorrência, esclareceu que a atitude não teve qualquer origem criminosa ou maliciosa, mas resultou de pura ignorância. “Ele é inocente e não entendeu que precisava depositar a certidão de óbito no banco para reaver o dinheiro”, afirmou o delegado. As autoridades não apresentaram queixa contra Munda, e o banco comprometeu-se a ajudar o homem a regularizar a situação através dos canais apropriados, com o apoio de assistentes sociais.
O caso reacendeu o debate sobre o analfabetismo funcional em zonas rurais da Índia — o estado de Bihar é um dos mais pobres do país, com taxas de alfabetização abaixo dos 70% — e sobre a complexidade dos procedimentos bancários para populações vulneráveis. Muitos camponeses e trabalhadores rurais enfrentam dificuldades semelhantes para aceder a heranças ou fundos de familiares falecidos.
🌍 O que podemos aprender?
Embora o episódio pareça caricato à primeira vista, ele expõe uma realidade dolorosa: a distância entre o mundo formal (documentos, certidões, processos legais) e a vida de pessoas que nunca tiveram acesso à educação básica. A falta de literacia financeira e jurídica pode levar a situações extremas como esta. Bancos e governos locais têm o dever de simplificar procedimentos, oferecer assistência personalizada e garantir que nenhum cidadão seja excluído do sistema por não saber ler ou escrever.
📢 Reacção nas redes sociais
A notícia viralizou rapidamente em plataformas como X (antigo Twitter) e Facebook, gerando milhares de comentários. Enquanto muitos usuários se chocaram com o aspecto macabro do gesto, outros destacaram a falha estrutural: “Este homem não precisava de um advogado, precisava de alguém que lesse por ele um simples formulário”, escreveu um ativista social. A hashtag #BiharBankTragedy chegou a figurar entre os assuntos mais comentados na Índia, pressionando instituições financeiras a reverem seus protocolos de atendimento a pessoas analfabetas.
Por fim, Jitu Munda recebeu apoio de uma ONG local que se ofereceu para acompanhar todo o processo de obtenção da certidão de óbito e a transferência dos fundos. O banco também anunciou que enviará um funcionário especialmente treinado à sua aldeia para evitar novos episódios de desespero.
